O crack chegou em Brasília

3 Fevereiro 2009  |  Publicado por Editor BRAHA em Destaques


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Carlos Cezar Soares Batista

carloscza@gmail.com

 

Não podemos comemorar a frase acima, tampouco soltar fogos de artifício, pois não se trata de uma nova contratação dos times de futebol de Brasília. Ao contrário, estamos falando do que há de mais devastador no universo das drogas ilícitas, se é que existe algo que não seja ruim neste campo.

 

Lamentavelmente, na geografia da droga, o que era conhecido apenas por usuários de alguns poucos estados brasileiros, a exemplo de São Paulo, Bahia e Minas Gerais, em médio prazo vem se espalhando por todo país – e Brasília não ficou de fora. A potencialidade desta droga causa perplexidade a todos por sua voracidade e grau de dependência ao usuário habitual, impactando sobre maneira toda sua família e sua rede social.

 

As matérias sobre o tema publicadas nos jornais locais têm alertado para o advento desta droga em nossa cidade, vindo ao encontro do que há tempos tem sido constatado nos consultórios e centros de tratamento que atendem dependentes químicos. Obviamente que estamos falhando na prevenção, no entanto, para piorar o cenário, depara-se com total ausência de políticas públicas que possibilitem o atendimento adequado a dezenas de dependentes e seus familiares. Para quem não sabe, a Capital Federal conta apenas com dois centros de atendimento governamentais para atender a essa clientela, o que seguramente não é o mais adequado, já que a população do DF e entorno, e, como bem tem sido divulgado, a cada dia mais e mais pessoas têm acesso a esta droga e por conseguinte os que decidem buscar apoio terão dificuldades.

 

Longe de uma solução, toda semana a mídia divulga a maior apreensão de crack, mostrando o quão difícil é combater sua oferta e assim, infelizmente, muito ainda será mostrado desta cruel e triste corrida pelo prazer. Ao encontro desta previsão, segundo dados do Relatório Mundial sobre Drogas do UNODC – Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime, divulgado no dia 26 de junho de 2008, o Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína das Américas, com 870 mil usuários, ficando atrás apenas do Estados Unidos. Por outro lado, as pesquisas domiciliares realizadas no Brasil revelam que o consumo entre pessoas de 12 a 65 anos aumentou de 0,4% da população em 2001 para 0,7% em 2005. A mesma pesquisa, aponta que o uso da cocaína está presente na faixa etária entre os 12 e 17 anos, com 0,5% dos entrevistados e atinge um máximo na faixa dos 25 e 34 anos, com 5,2%.

 

Assim, como podemos perceber, acreditamos que as pessoas adoecidas tem sido reféns não só do tráfico de drogas, mas da inexistência de programas que as assistam neste momento de sofrimento, pois só quem vive ou viveu este drama sabe o quanto é penoso reverter este quadro, onde as sequelas e perdas são inevitáveis e sair vivo é um excelente negócio.

 

Carlos Cezar Soares Batista é Coordenador do Fórum DQDF - Fórum Permanente de Dependência Química do Distrito Federal


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