“Craconha” - Para fidelizar ‘cliente’, tráfico está colocando crack na maconha

2 Dezembro 2009  |  Publicado por Editor BRAHA em Atualidades


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Batizada de ‘craconha’, mistura é ainda mais prejudicial à saúde; especialistas alertam para riscos

Especialistas advertem: a maconha nacional pode conter crack. Como a planta cultivada no Brasil é de má qualidade e tem concentração inferior a 1% de tetraidrocanabinol (THC) - princípio ativo da droga -, traficantes começaram a adicionar pedrinhas do outro entorpecente, mais perigoso à saúde, para potencializar o efeito do cigarro de maconha e cativar clientes.

O alerta partiu do diretor do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Hospital das Clínicas, toxicologista Anthony Wong. “Por ter maconha de baixa qualidade, o traficante adiciona crack para que o usuário tenha o chamado ‘barato’. Muitos jovens não conhecem o efeito da maconha e não se dão conta que estão consumindo outro entorpecente, ainda mais nocivo e que vicia rapidamente.”

O nível de THC é encontrado em maior quantidade nas plantas fêmeas, sobretudo nas partes mais altas dos galhos. Mas, para aumentar a produção, plantadores brasileiros arrancam toda a planta e misturam machos e fêmeas. Depois, em geral, adicionam sabugo de milho e casca da semente de café triturados, além de esterco e capim.

Dessa forma, a maconha nacional não chega a ter 1% do princípio ativo, enquanto o padrão mínimo da droga estrangeira fica entre 1% e 3%.

O delegado do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), Luiz Carlos Freitas Magno, tem conhecimento da prática de adicionar crack à maconha. “É o chamado ‘bazuco’ ou ‘mesclado’”, explicou o delegado, que dá palestras sobre prevenção ao uso de drogas.

Há cerca de um ano e meio, os traficantes do Rio de Janeiro começaram a vender o kit “maconha mais crack”, batizado por lá de “craconha”. Só que, em território carioca, a mistura é encarada como nova droga. E o motivo da comercialização é outro: o usuário acredita que a maconha, considerada relaxante, pode potencializar o efeito do crack, um estimulante. O que não passa de mito.

Perigo

A adulteração não só da maconha como de outras drogas é prática freqüente de traficantes brasileiros para aumentar o lucro nas vendas. Muito se fala sobre os danos causados pelo princípio ativo das drogas e a dependência que elas causam. Mas pouco sobre as substâncias usadas para “batizá-las” ou das que são usadas durante sua fabricação.

Segundo o Instituto de Criminalística, dois tipos de substâncias são geralmente adicionadas aos entorpecentes. Uma é o adulterante, que imita os efeitos da droga. Por exemplo, a xilocaína (nome comercial da lidocaína), um anestésico local que passa a falsa impressão de dormência à pessoa que tem contato com a cocaína. Outro é o diluente, adicionado para aumentar o volume da droga. Por exemplo, pó de vidro, mármore ou massa corrida adicionados à cocaína.

Segundo a polícia, na cocaína vendida ao usuário há apenas 25% do entorpecente. Os outros 75% são formados por outras substâncias. “E, muitas vezes, a quantidade real de droga fica abaixo desse percentual”, diz o delegado.

A cocaína é uma das drogas mais “batizadas”. Entre as misturas encontradas na droga, estão as substâncias inorgânicas, como o pó de mármore, vidro e gesso, que não são eliminadas pelo corpo humano. “Se uma partícula de pó de mármore ficar alojada no pulmão, o organismo vai se defender e envolvê-la. Ele perderá a elasticidade, o que chamamos de fibrose”, explica o diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Elisaldo Carlini.

O diretor do Cebrid alerta para outro problema ligado ao consumo da cocaína associado ao uso de bebidas alcoólicas, principalmente destiladas (uísque, conhaque): forma-se o cocaetileno, que chega a ser 17 vezes mais tóxico e perigoso.

Outro alerta feito pelo toxicologista Wong é que, quando a pessoa tem uma crise por causa do consumo de drogas e vai parar no pronto-socorro, a mistura pode fazer com que o médico não tenha como identificar rapidamente qual substância causou o problema.

Jovens

Para os especialistas, a existência das drogas “batizadas” é mais um motivo para que os pais antecipem a conversa com os filhos, sobretudo adolescentes, a respeito dos danos causados pelo uso de entorpecentes, em vez de esperarem por atitudes suspeitas ou pela confirmação de que o filho realmente é um usuário de drogas para falar-lhes sobre os seus riscos. É preciso ter em mente também que muitas vezes um adolescente passa a consumir entorpecentes para se sentir aceito pelos colegas usuários.


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