Por: Agência Folha Online
A primeira apreensão em São Paulo de uma droga sintética ainda pouco conhecida no Brasil, a “cápsula do vento” ou “cápsula do medo”, demonstra uma tendência de consumo de alucinógenos que tem cada vez mais se tornado popular desde meados da década de 90.
De acordo com o Departamento de Investigações Sobre Narcóticos - Denarc, as 41 cápsulas apreendidas em uma faculdade em São Paulo contêm a mesma substância encontrada em cápsulas aprendidas no final do ano passado em Balneário Camboriú /SC, quando surgiu o termo “cápsula do vento” devido ao aspecto da cápsula transparente, que contém uma substância quase invisível.
Análise feita pelo Instituto Nacional de Criminalística da PF (Polícia Federal) a partir das amostras colhidas em Santa Catarina revelaram se tratar de uma droga chamada DOB (2,5-dimetoxi-4-bromoanfetamina), uma anfetamina que causa efeitos estimulantes e alucinógenos parecidos ao do êxtase e que podem durar até 30 horas.
Na opinião do farmacêutico Marcos de Almeida Camargo, chefe do laboratório do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, drogas sintéticas como o DOB, LSD e êxtase ganham espaço por serem facilmente produzidas em laboratórios e menos difíceis de traficar do que a maconha e a cocaína, por exemplo, que demandam uma estrutura maior para a sua produção e tráfico. Ele acredita que, assim como ocorreu com a popularização do êxtase, principalmente entre quem participa de eventos de música eletrônica, o DOB tem espaço para ser disseminado.
DOB
Da mesma forma, o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, presidente do Conselho Técnico e Administrativo do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas - Grea do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo - USP, acredita também que possa haver espaço para o DOB no Brasil. “Na época de 1982, 84, havia uso de cocaína e começou o de crack. O pessoal não deu atenção ao crack. (…) De repente o crack teve um crescimento muito grande. E hoje o crack, que é primo-irmão da cocaína, é um sério problema de saúde pública. (…) Tendo essa experiência anterior, eu acho que é possível ter algo parecido com a droga antiga [o êxtase] e a droga nova [o DOB].”
Já o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, chefe da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas - Uniad, da Universidade Federal de São Paulo, disse que ainda é cedo para saber se o consumo do DOB especificamente irá se popularizar, pois há outras drogas sintéticas despontando no país, como o Ice, também apreendido anteontem pelo Denarc em São Paulo, e o LSD líquido.
“Vez ou outra o Denarc vai fazer apreensões até se tornar uma coisa mais sistematizada, para saber se houve uma tendência nesse ou naquele tipo de droga sintética. No meu modo de ver, ainda é prematuro saber se vai predominar o DOB. Ainda não se constituiu uma tendência nítida no mercado. O que existe de tendência nítida é essa onda de drogas sintéticas, que veio para ficar.” Na Europa, relatório da União Européia do ano passado incluiu o DOB, tratado como “substância perigosa”, em relatório sobre riscos à saúde decorrentes de novos padrões de consumo de drogas.
Autor: Agência Folha Online
Fonte: OBID - Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas
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