Álcool e a Sociedade
7 Outubro 2008 | Publicado por Editor BRAHA em Cultura das Drogas, Destaques, Álcool e Tabaco
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Enquanto as telas da televisão, as páginas dos jornais e as ondas dos rádios veiculam propagandas sedutoras e enganosas, quem de novo fica na mão é o povo brasileiro. Na realidade, nem os produtores de bebidas alcoólicas, nem os órgãos governamentais, nem o terceiro setor, têm tido o empenho …
Enquanto as telas da televisão, as páginas dos jornais e as ondas dos rádios veiculam propagandas sedutoras e enganosas, quem de novo fica na mão é o povo brasileiro. Na realidade, nem os produtores de bebidas alcoólicas, nem os órgãos governamentais, nem o terceiro setor, têm tido o empenho necessário no esclarecimento da sociedade quanto ao vultuoso problema que tem a ver com a vida, sua qualidade, e a sobrevida do brasileiro, que é o aumento indiscriminado do consumo de álcool em todas as classes sociais, faixas etárias e sexo.
Dezoito em cada 100 brasileiros adultos são dependentes de álcool, o hábito de beber entre crianças e adolescentes é cada vez maior, 75% dos acidentes fatais de trânsito são associados ao uso excessivo de álcool (em torno de 29 mil mortes por ano) e cerca de 40% das ocorrências policiais relacionam-se ao abuso de álcool.
Soma-se a isso, o alto índice de absenteísmo nas empresas acarretando grande prejuízo financeiro, a inegável associação de crimes bárbaros e violentos, a agressividade nos lares com destruição das células familiares, quebrando a estrutura financeira, emocional ética e moral.
Das 5700 mortes violentas ocorridas em São Paulo em 1996, 48% apresentavam excesso de álcool no sangue, assim como em 64% das mortes por afogamento, 52% dos homicídios, 36% das quedas fatais, e em 36% dos suicídios.
Se não bastassem estes alarmantes números, o que dizer da agressão à saúde do indivíduo, acarretando problemas neurológicos (como demência alcóolica, derrame cerebral, traumas cranioencefálicos, distúrbios neuropsiquiátricos, abstinência alcóolica com mortalidade de até 30% e coma hepático); pancreatite, cirrose, gastrite, úlcera péptica, hipertensão arterial , arritmias cardíacas, miocardiopatia alcóolica , infarto do miocárdio, desnutrição, infecções como meningites, pneumonias, abscessos pulmonares, peritonites; e câncer do trato respiratório e gastrointestinal, patologias essas que fazem parte do dia a dia dos médicos que trabalham em Pronto Socorro, e que acarretam um aumento da mortalidade geral de quatro vezes, e um gasto extraordinário em internações decorrentes do uso abusivo de álcool, segundo o Ministério da Saúde R$ 310 milhões nos últimos três anos.
Assim é que, nos causa espanto e tristeza observar a negligência geral diante do monstruoso problema que é o abuso do álcool. Chegará o dia em que os produtores de bebidas alcóolicas estarão vivenciando o pesadelo das indenizações milionárias, a semelhança das indústrias de tabaco.
Deveríamos sim, o governo, as organizações não governamentais e a sociedade como um todo, estar mais preocupada em coibir as propagandas sedutoras que atingem todas as faixas etárias e que estimulam a ingestão de bebida alcoólica, tornar obrigatório nos rótulos das bebidas alcoólicas advertências quanto aos riscos da ingestão alcoólica. Os esforços para num trabalho sério e responsável, o desenvolvimento de campanhas de conscientização quanto aos malefícios do abuso de álcool, a promoção de campanhas especificamente direcionadas aos jovens nos colégios e nas universidades, a criação de programas para detectar o alcoolista inicial e o trabalho no processo de reeducação, proibição do patrocínio de bebidas alcoólicas em eventos esportivos e culturais, são bem vindos porque o ÁLCOOL CRIA DEPENDÊNCIA E SEU ABUSO FAZ MAL A SAÚDE
Fonte: Hospital Sírio Libanês - SP
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