Cigarros sem fumaça e alcatrão têm problemas de regulamentação nos EUA

2 Junho 2009  |  Publicado por Editor BRAHA em Atualidades, Notícias, Álcool e Tabaco


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Katie Zezima - The New York Times

Durante 34 anos como fumante, Carolyn Smeaton tentou inúmeras formas de reduzir seu vício de três maços por dia, incluindo adesivos de nicotina, chiclete de nicotina e um medicamento prescrito. Mas os auxílios para parar de fumar sempre fracassaram.

Então, após assistir a um comercial de TV em sua casa aqui, Smeaton experimentou um cigarro eletrônico, que alegava ser uma forma menos perigosa de alimentar seu vício. O dispositivo movido a pilha que ela comprou online fornece uma dose sem odor de nicotina e sabor sem o alcatrão e aditivos, além de produzir um vapor quase idêntico em aparência à fumaça do tabaco.

“Eu sinto que isto pode salvar minha vida”, disse Smeaton, 47 anos, que já reduziu seu fumo de tabaco para um maço e meio por dia, complementado pelo cigarro eletrônico.

Esse cigarro eletrônico não regulamentado e virtualmente não testado não impede milhares de fumantes de procurarem quiosques em shoppings e a internet para comprá-los. E por não produzirem fumaça, eles podem ser usados no local de trabalho, restaurantes e aeroportos. Um distribuidor até mesmo se chama Smoking Everywhere (fumando em todo lugar).

A reação das autoridades médicas e grupos antitabagismo varia de pedidos de teste e ceticismo até total hostilidade. Os oponentes dizem que as alegações de segurança são mais rumores do que outra coisa, já que os componentes dos cigarros eletrônicos nunca tiveram sua segurança testada.

De fato, a Food and Drug Administration (FDA, agência americana de controle de alimentos e medicamentos) já negou a entrada de dezenas de carregamentos de cigarros eletrônicos que chegam ao país, a maioria da China, a principal fabricante deles, onde a produção teve início há cerca de cinco anos. A FDA agiu de forma semelhante em 1989, impedindo a entrada de uma versão anterior, menos atraente, os cigarros sem fumaça.

“Eles parecem ser produtos não aprovados de drogas”, disse Karen Riley, uma porta-voz da agência, “e na condição de produtos não aprovados, eles não podem entrar nos Estados Unidos”.

Mas um número suficiente de cigarros eletrônicos entrou no país, a ponto de continuarem proliferando online e nos shoppings.

Por cerca de US$ 100 a US$ 150, um usuário pode comprar um kit que inclui um cigarro a pilha e cartuchos substituíveis que geralmente contêm nicotina (apesar dos cartuchos poderem ser comprados sem ela), aromatizante e propileno glicol, um líquido que evapora, produzindo o vapor que parece fumaça. Quando o usuário inala, um sensor aquece o cartucho. Os sabores incluem tabaco, mentol e cereja, e os níveis de nicotina variam de cartucho a cartucho.

O propileno glicol é usado em anticongelantes e também para criar fumaça ou névoa artificial em produções teatrais. A FDA o reconhece como um aditivo “geralmente reconhecido como seguro” para uso em alimentos. Mas quando perguntado se inalá-lo era seguro, o dr. Richard D. Hurt, diretor do Centro de Dependência em Nicotina da Clínica Mayo, disse: “Eu acho que não, mas não sei ao certo se alguém sabe com certeza.”

As autoridades de saúde pública também temem que os sabores de fruta dos aparelhos, sua novidade e acesso fácil possam atrair as crianças.

“Parece um cigarro e é comercializado como um cigarro”, disse Jonathan P. Winickoff, um professor associado do Hospital Geral de Massachusetts para Crianças e presidente do Consórcio de Tabaco da Academia Americana de Pediatria. “Não há nada que impeça os jovens de se viciarem em nicotina.”

A venda e uso de cigarros eletrônicos já são ilegais com base em segurança na Austrália e em Hong Kong, e alguns outros países os regulamentam como dispositivos medicinais ou proíbem sua publicidade. Até o momento, os Estados Unidos têm se concentrado apenas em barrá-los na fronteira, apesar do senador Frank R. Lautenberg, democrata de Nova Jersey, ter pedido para a agência de drogas retirá-los do mercado até que sejam testados.

Os distribuidores dos cigarros eletrônicos temem que um projeto de lei que está tramitando no Congresso e dá à FDA a autoridade para regular o tabaco, possa ser usado pela agência para tirá-los do mercado.

O único estudo americano dos cigarros eletrônicos, em andamento na Virginia Commonwealth University e financiado pelo Instituto Nacional do Câncer, lida não com as questões de segurança levantadas pelo uso do propileno glicol, mas sim com a quantidade de nicotina processada pelos corpos dos usuários dos produtos.

Outro estudo, conduzido neste ano pela Universidade de Auckland, Nova Zelândia, e financiada pela Ruyan, uma empresa de cigarro eletrônico, mostra que os usuários costumam receber 10% a 18% da dose de nicotina de um cigarro de tabaco.

A Smoking Everywhere, uma distribuidora de cigarros eletrônicos com sede na Flórida, processou a FDA em 28 de abril, argumentando que a agência não tem jurisdição para impedir a importação dos dispositivos.

“A FDA tem poder para regular a goma de mascar Nicorette e semelhantes, porque são comercializados como produtos para parar de fumar”, disse Kip Schwartz, um advogado da Smoking Everywhere. Mas a empresa diz que seus dispositivos são um cigarro alternativo para desfrute de adultos e não alega que ajuda os fumantes a parar de fumar, acrescentou Schwartz.

Matt Salmon, um porta-voz da Associação do Cigarro Eletrônico, que representa seis distribuidores, disse que os cigarros eletrônicos apenas oferecem uma mistura de nicotina e vapor de água que não emite carcinógenos. A associação se recusou a fornecer números de vendas, mas disse que “centenas de milhares” de pessoas usaram os produtos e que a idade média dos usuários é na faixa dos 40 anos.

“É uma alternativa realmente boa para pessoas que fumam tabaco”, disse Salmon.

Edwin Schwab, que deixou de fumar cigarros comuns no ano passado após experimentar o cigarro eletrônico, gosta tanto deles que começou a vendê-los em um quiosque de shopping em Providence, Rhode Island.

Schwab levou consigo seu cigarro eletrônico quando saiu certa noite, ele disse, “e quando todos estavam fumando do lado de fora no frio, eu apenas permaneci no bar aconchegante, fumando”.


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