Anorexia alcoólica, um drama feminino

19 Novembro 2009  |  Publicado por Editor BRAHA em Álcool e Tabaco


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Portal O Dia

Antes de ser abordada pela nova novela transmitida pela Rede Globo (Viver a Vida), a drunkorexia era uma doença totalmente desconhecida por grande parte dos brasileiros. Junção de duas patologias graves – anorexia e alcoolismo – a anorexia alcoólica, como também é chamada, afeta principalmente a mulheres jovens, com idade entre 20 e 40 anos.

Assim como é interpretado pela atriz Bárbara Paz (Renata, em Viver a Vida), quem sofre deste transtorno ingere bebida alcoólica no lugar da alimentação, com o intuito de emagrecer. A doença é fruto de uma exigência da “sociedade da magreza”, que relaciona beleza a poucos quilos, principalmente entre as mulheres.

Não há pesquisas no Brasil sobre a drunkorexia, mas cerca de 3% a 4% das mulheres brasileiras possuem algum tipo de transtorno alimentar. Na Europa, constatou-se que o uso de álcool entre pessoas com transtornos alimentares era de 34,1% contra 26,9% entre as pessoas saudáveis. Um estudo no Canadá também indicou que a chance de uma mulher entre 50 e 64 anos se tornar alcoólatra é seis vezes maior se ela também tiver sintomas de transtorno alimentar.

Isso se associa à tendência que as mulheres têm de desenvolver dependência ao álcool mais rapidamente do que os homens, além do fato do organismo feminino sentir mais o efeito das bebidas alcoólicas pela menor quantidade de água e maior de tecido adiposo.
O psicoterapeuta Assis Santos Rocha diz que a doença ainda é pouco conhecida entre a população e, felizmente, atinge a um número pequeno de pessoas. Mas sabe-se que mulheres que apresentam transtorno alimentar bebem mais quando descobrem que o álcool tira o apetite. “Quem bebe muito costuma comer menos porque não sente fome. O mesmo acontece com pessoas que cheiram cola ou cocaína, perdem o apetite”, afirma.

As consequências, porém, são danosas. A anorexia, sozinha, causa desnutrição e pode transformar uma bela mulher em uma pessoa cadavérica rapidamente. E o alcoolismo, sozinho, tira a vitalidade das vítimas. Juntas, as doenças são ainda mais destrutivas: “O álcool impede a absorção de muitas vitaminas, como a vitamina B”, diz o médico.

Somente a vitamina citada pelo psicoterapeuta é responsável por: fornecer energia para o organismo; ajudar no funcionamento normal do sistema nervoso; ação no tônus muscular no estômago e no trato intestinal; pele; cabelo; olhos; boca; e fígado.

Assis Rocha nunca atendeu a nenhum paciente com Drunkorexia, mas já tratou mulheres anoréxicas, o que foi suficiente para que ele percebesse a gravidade do problema. “A doença é tratável com psicoterapia e tratamento medicamentoso, mas às vezes a paciente precisa de internação porque o transtorno pode alterar até mesmo os ciclos menstruais”, afirma.

A igualdade entre os sexos tão sonhada por muitas mulheres está longe de se tornar realidade, ao menos no quesito “resistência ao álcool”. Bebendo pela metade do tempo a metade da dose que um homem bebe, as mulheres já sentem os mesmos efeitos do álcool.

Por conta desta reação diferente entre elas, as mulheres são também mais suscetíveis ao alcoolismo. É o alerta que o médico hepatologista Antonio Barros faz. Ele explica que por isso a drunkorexia é tão danosa, já que a falta da alimentação faz com que os efeitos doálcool sejam bem maiores.

Dificilmente, a ingestão de bebida alcoólica vai fazer com que alguém ganhe peso. Pelo contrário, o álcool é até mesmo uma fonte de energia, só que esta energia é vazia. “Um grama de álcool tem sete calorias. Então, ele gera energia, e uma pessoa que come pouco e bebe muito pode até viver por muito tempo, mas vai apresentar desnutrição”, alerta Barros.

Outra consequência grave da drunkorexia é a presença de sintomas da depressão. “Anorexia e depressão são primas. Elas têm muitas características parecidas. Quem tem anorexia, costuma apresentar desânimo, baixa autoestima. E com a ingestão de bebida, isso tende a piorar, já que o álcool diminui a serotonina do organismo, hormônio que previne a depressão”, orienta o médico.

O tratamento para esta nova e assustadora doença, diz Antonio Barros, é multidisciplinar. Nutricionistas, psicólogos, psiquiatras, endocrinologistas e até grupos de autoajuda podem ser úteis na recuperação de um paciente neste quadro.

Fonte: http://www.sistemaodia.com/noticias/anorexia-alcoolica-um-drama-feminino-56296.html


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